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Festa de São Martin

Novembro ainda é outono, mas o frio aqui na Alemanha já tem cara de inverno. Então a gente segue inventado e procurando alternativas para nos divertimos e aproveitarmos o tempo também fora de casa, porque esperar dentro de paredes quentinhas o inverno passar com quatro crianças é de enlouquecer mãe, pai e a vizinhança toda.

Para nossa alegria, novembro é o mês em que comemoramos a festa de São Martin e isso quer dizer que pelo menos por um semana estamos entretidos com algo que aquece nossos corações de tão fofinho que é. Vou explicar o motivo.

Primeiro, quem foi São Martin?

Martinus Turonensis, também conhecido como Martinho de Tours nasceu no século IV a oeste do Rio Danúbio, região que pertence hoje a Hungria. Seu pai era militar e o alistou com 15 anos para a cavalaria do exercito romano, mesmo contra a sua vontade. Logo ficou conhecido por sua bondade, caridade e fé. Em uma determinada noite, quando Martinus de Tours estava com mais ou menos 22 anos, aconteceu algo que iria mudar a sua vida. E essa parte é o que originou a lenda e a festa que celebramos até os tempos de hoje. Conto sobre isso mais abaixo. Enfim, depois desta noite ele deixou de vez o exército, virou monge, missionário e evangelizador. Morreu aos 81 anos e sua vida foi sempre em função do próximo. Caridade… talvez seja essa sua marca.

St Martin

Mas enfim, o que aconteceu para que São Martin abandonasse a cavalaria? A lenda é mais ou menos assim:

Em um inverno rigoroso, quase congelante para dizer melhor, são Martin retornava de um vilarejo após receber o dever de cobrar os impostos dos camponeses de uma cidade vizinha. Na saída, ele encontrou um mendigo  que implorava por ajuda sentado no chão frente ao portão da cidade. Como são Martim havia dado há poucos instantes todo o seu dinheiro para que os camponeses pudessem pagar o imposto, ele pegou o que tinha no corpo para ajudar o homem. Cortou com sua espada metade do manto que lhe esquentava o corpo e ofereceu ao mendigo, cobrindo-o para que o pobre homem não morresse congelado. Na mesma noite, são Martin sonhou que Deus estava trajado com seu manto, ele acreditou ter tido um encontro com Deus. A partir desse dia,  Martin decide não ser mais um soldado, abandona o capacete e a espada e passa a servir a igreja. É pelo ato de bondade e de coragem de São Martim e por toda uma vida de caridade que comemoramos no dia 11 de novembro o dia de “Sankt Martin”.

São Martin e os gansos
O Bispo da cidade faleceu, e o povo clamava Martin, todos queriam que ele fosse o próximo bispo. Mas ele era tão modesto que se escondeu junto aos gansos. As pessoas o procuravam no escuro com LANTERNAS e alguns deles cantavam músicas. Quando os gansos começaram a fazer barulho o povo o descobriu. E em 371 depois de Cristo, São Martin tornou-se bispo de Tours.

Por isso as lanternas…

A memória dele sobreviveu aos séculos: então a festa que comemoramos hoje com músicas, lanternas e (em alguns lugares) jantar com ganso assado (na minha cidade é Bratwurst mesmo – linguiça grelhada), é devido a estes dois episódios: o ato de bondade ao ajudar o mendigo e o esconderijo entre os gansos.

Como é a festa aqui na Alemanha?

Na escola da minha filha, nos encontramos no pátio, cantamos músicas, saímos todos em procissão com nossas lanternas e depois comemos juntos também no pátio da escola.

No Kita (ed. infantil) dos meus filhos menores, que é uma escolinha católica, temos uma missa, depois uma encenação com “St. Martin” subindo no cavalo, uma procissão no

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Kinderpunsch!

bairro com as lanternas e música, e uma confraternização no kindergarden com salsicha e kinderpunsch (seria um ponche quentinho sem álcool – humm… eu adoro!).

No meu bairro, as crianças tocam as campainhas da casa e quando a gente abre a porta elas cantam para nós. Como forma de agradecimento, retribuímos com doces, é uma tradição.

A primeira vez que bateram na minha porta – eu não sabia de nada disso ainda – eles cantaram e ficaram sorrindo esperando, aí eu vi que um deles segurava um cestinho com doces e então eu entendi o recado. Corri para o armário e tinha uns poucos  mini saquinhos de Haribo. Outras crianças vieram e eu não tinha mais doce, então comecei distribuir frutas. Elas se entre olharam e agradeceram. Vieram outras e eu já estava desesperada, não tinha mais doce, frutas e eu não ia dar um pé de alface que estava lá na geladeira, então eu distribui iogurte! Ai que mico.

Um encontro de arte, cultura, história, religião…

As crianças fazem suas próprias lanternas, mas também podem comprar. Esse ano nós compramos a da Melina, mas depois ela fez uma com sua amiga e o Lucca e o Thomas fizeram a deles parte na escola. O Giovanni já está no fundamental, e isso quer dizer que não é costume por aqui fazer a procissão de são Martim nas escolas depois de “grandes”, mas muitas paróquias celebram essa festa e nos dão a oportunidade de festejar juntos em qualquer idade.

Aqui em casa adoramos participar de tudo isso, acho uma forma importante de dizer e mostrar para as crianças que quando fazemos o bem isso fica marcado, gera frutos, engrandece, alegra ao próximo e nos enche de alegria também. Então, por que não? Para hoje a previsão é de chuva, mas temos um encontro marcado às 16:00 para festejarmos St. Martin 🙂

E vocês, já conheciam essa festa? O que acharam? Colocarei no instagram um pouco da festa (espero que a chuva não atrapalhe), passe lá e dê uma olhadinha. Já tem uma foto da Melina com sua lanterna. A festinha da escola dela foi quarta!

Beijos, mamães!

 

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