O BULLYING na Educação Infantil. Como mãe, preciso me preocupar desde cedo com isso? A resposta é Sim!

Olá mamães, o assunto de hoje é bem sério e é um dos meus temas prediletos de pesquisa: o BULLYING. Para começar gostaria de dizer que este texto está modificado, porém foi retirado da segunda edição do meu livro “Brincadeiras que fazem chorar – introdução ao fenômeno bullying”.

Quem nunca ouviu falar sobre bullying? Nos dias de hoje, muita coisa se fala sobre este fenônemo, porém há anos atrás ele ainda era considerado um mito para muitas pessoas. Sabemos que ele está presente em muitos lugares e atinge milhares de pessoas, infelizmente. Mas como saber se uma briga pode ser considerada bullying ou não? Como prevenir que meu filho se envolva com este fenômeno no futuro?

Observamos a agressividade na educação infantil a partir de inúmeros episódios que encontramos no cotidiano escolar e em casa.  A agressão – quase sempre desencadeada por alguma frustração – é um comportamento que possui a intenção aparente de machucar outra pessoa, sendo às vezes motivado pela disputa de algum objeto.

A agressividade nesta fase tende a sofrer mudanças em sua forma, freqüência e na motivação para esta ação. Ao longo dos anos a agressividade tende a diminuir ou modificar-se conforme a criança passa pelas etapas do seu desenvolvimento cognitivo; vivencia experiências construtivas; socializa-se e encontra nos pais ou professores um mediador para as suas ações.

Para agirmos de forma assertiva nos momentos de conflitos precisamos conhecer as etapas no qual as crianças se encontram e, para isso, tomo como ponto de partida as idéias de Jean Piaget. Para Piaget o desenvolvimento cognitivo é um processo contínuo no qual o indivíduo constrói e reconstrói estruturas em busca de um equilíbrio. Dessa forma o indivíduo passa por várias fases de desenvolvimento denominadas por Piaget como “Estágios”, e os classifica em quatro etapas, sendo as duas primeiras as mais importantes para nós neste momento, porque são elas que aparecem durante o tempo em que a criança se encontra nos seus primeiros anos de vida.

A primeira etapa é a Sensório-Motora, e se estende do nascimento até os dois anos de idade. A segunda etapa é a Pré-Operatória, abrangendo as crianças de dois a sete anos de idade. Observamos acima que há um indicativo de idade para cada estágio. É importante lembrar que essas faixas etárias são variáveis. Isso porque cada ser humano é singular, possuindo características biológicas próprias e estímulos externos diferentes que formam as variantes destes indicativos. O mais importante é lembrar que a ordem dos estágios é sempre respeitada indiferente do início e término de cada uma delas.

No primeiro estágio, o Sensório-Motor, as crianças:

  • Agem por meio dos reflexos neurológicos.
  • Participam do mundo de forma direta, objetiva sem formular reflexões e pensamentos.
  • Conhecem o mundo pelos sentidos, levando os objetos até a boca e prestam atenção em cada ruído ocorrido a sua volta.
  • Desenvolvem-se emocionalmente.
  • Criam a noção do tempo, espaço e objeto por meio da ação.

Através da construção destes esquemas as crianças assimilam o mundo a sua volta. E, ao término deste estágio, pode perceber-se parte de um conjunto, no qual ações e interações acontecem. A FALA é construída neste estágio e justamente por não dominá-la a criança opta por comunicar-se principalmente pela linguagem corporal, utilizando o choro, a mordida, a birra, a manha, as expressões faciais e os gestos para interagir com o meio.

Neste estágio de desenvolvimento cognitivo, os conflitos que ocorrem entre as crianças são iniciados, geralmente, pela disputa de um brinquedo, de um livro, pela posição ao sentar-se na roda (na escola) ou mesmo pela atenção do professor, avôs, pais. A criança NãO morde o colega da turma, por exemplo, porque tem a intenção de machucá-lo, de feri-lo gratuitamente como ocorre no bullying. Essas agressões ocorrem por ser o caminho mais curto para alcançar o seu objetivo.

No segundo estágio, denominado por Piaget como Pré-Operatório:

  • Ocorre o despertar da comunicação, a criança ganha ano a ano um vocabulário cada vez mais extenso, facilitando a socialização.
  • Conhece e gosta de brincar com o outro, interagir e se comunicar.
  • Há um avanço no desenvolvimento cognitivo, social e afetivo em decorrência da aquisição da linguagem.

Este é o estágio no qual a famosa frase “mas por quê?” aparece. Para a criança tudo tem que ter uma explicação. Nesta etapa ela tende a não relacionar fatos e, embora haja um avanço no desenvolvimento social da criança, o egocentrismo ainda assim é marca registrada desta etapa, uma vez que a criança não concebe a existência de outras realidades na qual ela não faça parte.

Os conflitos entre os colegas da classe continuam a existir, seja pela disputa por algum objeto ou pela atenção de uma pessoa querida. Como antes, a criança ainda pode resolvê-los de forma a utilizar a linguagem corporal (birra, mordida, choro) como tentativa de resolução do conflito, mas esta escolha tende a diminuir. Como adquiriu um vocabulário mais extenso neste estágio, a criança pode recorrer ao professor e contar o que houve.

Pesqusias indicam que por volta dos cinco e seis anos de idade, a criança é capaz de inventar apelidos pejorativos para seus colegas de turma, criar panelinhas, excluir, provocar e até humilhá-los. Desta forma, ao conhecermos estes dois estágios podemos entender que uma mordida ocorrida durante um conflito entre crianças de dois anos deve ser interpretada e mediada de forma diferente se ocorrida entre crianças de seis ou 7 anos de idade.

É importante pensarmos que todo conflito deve ser uma ponte que leva a um caminho de autoconfiança e construção. Por isso, o papel dos pais e dos professores em mediar essas situações agressivas nas crianças pequenas é tão importante quanto conhecer o estágio de desenvolvimento que a criança se encontra.

Ao pensarmos em uma situação no qual, como conseqüência de um atrito, uma criança de dois anos bate ou morde um colega da sua turma, não podemos dizer que esta é uma criança agressiva e que possui um transtorno de conduta. Com esta idade o seu melhor e mais rápido mecanismo para alcançar o seu objetivo é por meio da linguagem corporal e pode utilizar-se da mordida com essa finalidade. A criança não entende que está machucando, pois o seu estágio atual do desenvolvimento cognitivo não permite que esta se coloque no lugar do outro.

Já nesta idade é preciso estabelecer limites, os pais e os professores devem deixar claro e sempre lembrá-los do que é permitido e o que não é. Birra, mordida, chute não é um comportamento adequado porque fere o outro e, por isso, não deve ser permitido. Como?

  • Mediar e conversar com tranqüilidade e naturalmente.
  • Mostrar que a atitude não foi correta ao morder ou bater.
  • Não super valorizar a agressão.
  • Estipular limites.
  • Sempre evitar que se machuquem e machuquem o outro.

No intuito de prevenir que os nossos filhos se envolvam com o fenômeno bullying no futuro, os sentimentos de amizade, respeito, carinho, união, alegria e tristeza devem fazer parte das atividades e do cotidiano da casa. No segundo estágio de desenvolvimento, o Pré-Operatório, sabemos que a criança já é capaz de agredir intencionalmente e, por volta dos cinco anos de idade, é capaz de inventar apelidos, formar panelinhas e até mesmo fazer “brincadeiras” de mau gosto.

Podemos notar que os conflitos existentes nesta etapa da educação infantil tornam-se diferentes; se antes a agressão acontecia pela disputa de um objeto, agora ela pode ser verbal e intencional.

É neste momento que o papel dos pais no combate e prevenção ao bullying é extremamente importante. É preciso trabalhar tanto com a criança que inventa apelido e faz gozações, quanto com aquela que recebe estas ações e não sabe como sair destas situações constrangedoras. E nós, mães, podemos ajudar contando aos professores como a criança é em casa e ouvindo como a criança é na escola.

É nesta fase que os comportamentos de agressões físicas e morais e a baixa auto estima devem ser trabalhados evitando que tais características se acentuem. A personalidade da criança é construída nos primeiros anos de vida e coincide com sua passagem pela educação infantil.

Por isso, o papel e o exemplo dos pais e dos professores e, também, a forma com que eles resolvem os conflitos do dia a dia, ajudam a formar a base da educação da criança, evitando até mesmo que se envolvam com o fenômeno no futuro, seja como alvo ou autores de bullying.

Quer saber mais? (Você pode continuar lendo mais sobre isso em: www.bullynobullying.blogspot.com)

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3 comentários sobre “O BULLYING na Educação Infantil. Como mãe, preciso me preocupar desde cedo com isso? A resposta é Sim!

  1. Por ter passado situações vexatórias na infância numa idade mais avançada que esta e por meus pais ou focarem somente no aprendizado e não me atenderem nas minhas dificuldades sociais, hoje lido com essas situações bem de perto e recomendo a todos os pais que acompanhem paulatinamente seus filhos e cada comportamento de perto, em casa, na rua, pois ele pode refletir na escola. Manter um relacionamento aberto com a escola, principalmente com o professor de meus filhos, me permitiu conhecer a forma de trabalho do professor, e me permitiu também aos professores conhecerem nosso lidar em casa.Resultado: 3 lindos anos sem grandes conflitos e situações vexatórias. Apenas uma ou outra vez fui chamada por causa do meu filho caçula que tem dificuldade em falar e se expressar com palavras. Mas logo achei uma solução para este problema: conseguimos uma fono e fiz um rápido tratamento, que já resultou em avanços pequenos, mas muuuito significativos! Este ano os dois mudaram de escolas, e ambos antes na mesma escola, agora vão pra escolas diferentes. Meu método de aproximação e esclarecimento de todas as duvidas ao professores e respostas imediatas quanto a comportamento diferenciado continuará o mesmo, e espero encontrar tb abertura da parte dos professores em receber uma mãe super ativa e preocupada com a vida escolar dos meus filhos!!! Tudo pra evitar que eles cheguem a passar por essas situações ou que pelo menos saibamos lidar juntos se algo assim ocorrer!!! Toda vez que lembro de mim, meu coração dói por não ter tido acolhimento e por ter de enfrentar certas situações sozinha (aliás, eu e Deus). Se isso chegasse a acontecer com meus filhos meu coração se partiria em mil pedacinhos… Cuidemos pra que eles não seja agentes ativos do bullying, nem sofram a pena nas mãos dos mesmos!!!!

  2. Pingback: Como saber se a agressividade do meu filho pequeno já passou da conta? | Super Mammy

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