0

E quando meu filho for adolescente?

book-15584_1920Pois é, começaram algumas respostinhas mais azedas aqui em casa, então pensei: “Xiii, imagina na adolescência!”. Meu filho mais velho só tem nove anos, mas a preocupação com esta fase da vida já bate na minha porta: me sairei bem no papel de mãe de adolescente?

Para o psiquiatra Manfred Spitzer, “a puberdade é quando os pais são estranhos”. Eu já fui adolescente um dia, mas em breve passarei mais uma vez por esta fase, só que agora no papel de adulto responsável.  Aposto que isso deve ser no mínimo desafiador.

Mas como encarar a adolescência de um filho? Quando paro para imaginar, vejo-me como uma mãe legal, amiga e companheira, capaz de entender meus filhos e fazê-los se sentirem a vontade para rir ou chorar. Mas a verdade é que falar é fácil e em meio as briguinhas, chatices e surpresas vividas neste período, muito provável que eu me torne uma mãe chata, mandona e inflexível.  Afinal, se hoje já tenho grandes desafios na hora de educar, imagine quando eles forem adolescentes?

Mas será que todo adolescente é mesmo um “aborrecente”?

Não. Acreditem, nem todas as mães sentirão o gostinho amargo de ser mãe de um “aborrecente”. Mas engana-se quem pensa que apenas uma boa educação é capaz de reter o comportamento rebelde de um jovem. O ser humano é um caixinha de surpresa, e na adolescência essa caixinha se enche de transformações sociais e físicas.  Embora a relação construída entre pais e filhos até a adolescência seja importante e significativa, não podemos esquecer que existe um processo químico nesse período ativo e responsável pelas grandes mudanças, podendo  ocasionar  conflitos em qualquer que seja o nível de relação entre eles.

Mas que mudanças são essas?

O cérebro humano está em constante desenvolvimento até os 20 anos de idade. Na adolescência ocorrem alterações marcantes em suas estruturas. Regiões inteiras do cérebro são renovadas e essas mudanças  acontecem de  forma intermitente e não uniformemente. Nos anos  que acompanham a puberdade, ocorre uma reestruturação significativa, principalmente nas áreas cerebrais que abrangem as emoções, o auto controle, o julgamento apropriado das situações vividas e o próprio comportamento.

Além dessa alteração química cerebral, ocorrem também  alterações hormonais no período da adolescência. Bom, e sobre as alterações hormonais nem preciso dizer nada, nós mulheres conhecemos bem e sabemos o quanto influencia o nosso humor, relacionamento e até mesmo a visão do mundo.

Então não é apenas rebeldia?bmx-493138_1920

Não. Podemos dizer que o cérebro ainda em desenvolvimento de um adolescente está mais predisposto a riscos, a acoes mais sentimentais do que racionais,  a escolhas precipitadas, à impulsividade, ao entusiasmo por novidades e a dificuldade de se concentrar em metas a longo prazo. A adolescência é um período de busca pela identidade física, social e pessoal.

Saber disso me trouxe um alívio. Quando meu filho começar a resmungar, contestar ou me irritar, precisarei apenas mentalizar e dizer para mim mesma: “Calma! são apenas as sinapses neurais de um adolescente!!” rsrrs. Mas se no calor do momento eu me esquecer totalmente disso, devo recorrer as estratégias para uma boa convivência com adolescentes. Quais são elas?
* Como o adolescente vive praticamente o agora, dizer a ele que é preciso estudar para se ter um bom emprego, por exemplo, é quase perda de tempo. Nesta fase devemos ser práticas: “Olha meu bem, se não estudar para a prova de amanhã, cancela o cinema do fim de semana”.  Os adolescentes precisam de recompensas rápidas, nada de sermões sobre o futuro.
* Outra ação positiva para lidar com seu filho adolescente é sempre conscientizá-lo que toda ação tem uma consequência imediata e que portanto ele deve minimamente refletir sobre o que se está fazendo agora: “se não arrumar sua cama, cuidará da louça do jantar esta semana toda.”
* Trazer os amigos para a casa é uma forma de conhecê-los melhor e estar mais próximos deles, mesmo que eles se enfiem no quarto e só saiam para pegar comida na geladeira. Ser legal com os amigos do nosso filho adolescente ajuda na aproximação e melhora esta relação.                                                                                                                * Na adolescência é necessário fazermos acordos. A conduta de ouvir nossos filhos e formar combinados é importante para a política de “ação e consequência”. As regras e limites devem ser claros, objetivos e combinados em conjunto, se possível escritos e colocados no mural da casa. “Dever de casa semanal completo até sexta a tarde ou video game desligado no fim de semana”.

A adolescência é a fase da vida em que o parecer do outros – especialmente dos colegas – é cada vez mais influente. Mais influente até que a opinião de seus pais. A chave que nos revela a boa convivência entre pais e filhos na adolescência é lembrar sempre de três coisas:

1- Os adolescentes não estão diferentes, rudes e totalmente complicados neste período porque são malvados ou destemidos, mas porque o seu cérebro é ainda um enorme canteiro de obras a ser trabalhado após um longo período de reforma.

2- Os adolescentes não são adultos. Nem seu cérebro.

3- Os pais não são meros amigos. É preciso agir com responsabilidade e com a maturidade que nossas conexões neurais já estruturadas nos permitem.

handmade-791693_1920

E se você tem um adolescente em casa, conte para nós sua experiência!

asupermammy.com

facebook.com/asupermammy

Anúncios
3

Como (não) criar um filho mimado, mandão e problemático.

Cuidar e proteger nossos filhos… até isso tem limite. Como é difícil educar, saber até que ponto devemos ir e em que caminhos devemos pisar. Escrevo isso porque sempre tive um pé atrás para aquela famosa frase: “colocar o filho numa redoma de vidro”. E vejo, cada dia mais, que os pais que evitam ao máximo o sofrimento e a frustração de seus filhos acabam criando para si problemas ainda maiores.

A proteção talvez seja uma reação natural de uma mãe para o seu filho. Queremos que a vida deles corra sem grandes problemas. A todo momento antecipamos perigos e tentamos retirar as pedras do caminho, pois sempre é mais tranquilizador imaginar uma estrada livre, em que o risco de queda é menor.

Nesta tentativa de que tudo seja perfeito, ou quase, esquecemos que é preciso alguma frustração, de algum problema, de algum conflito. Porque é certo que aprendemos muito com eles. Hora, você já tentou colocar seu filho de três anos no sofá e dizer: “hoje conversaremos sobre brigas na escolinha”? Nem tente, vai entrar por um lado e sair por outro. É preciso o desconforto do conflito para se aprender e para crescer.

Um simples não (e o respeito por ele) já é um obstáculo a ser encarado por nossos filhos pequenos. Conheço muitos pais que possuem uma dificuldade enorme em dizer não a seus filhos. Depois, estes mesmos encontram uma dificuldade enorme na hora de enfrentar as consequências da sua própria permissividade.
istock_000007734469large
É pelo excesso de permissividade, ou pelo excesso do medo que possuímos de deixar nossos filhos enfrentarem os desafios sozinhos, que nos deparamos com crianças e adolescentes sem limites, birrentos, donos do mundo.

Analisando o perfil de pais permissivos, vejamos que são eles quem mais compram presentes aos seus filhos, e dizem que é recompensa. Recompensa de que? Não entendo. Geralmente, as crianças que ganham tudo o que querem, possuem grandes dificuldades de auto controle e de gerir uma frustração. Estes filhos vão crescendo e os pais comentam: “Como é possível que meu filho, que sempre teve tudo, me dá cada vez mais problemas?”.

A questão é o que oferecer a eles? E não estou falando de qual brinquedo é melhor, não estou falando de coisas materiais. No mundo fútil que vivemos, cada dia mais é preciso refletirmos sobre o que realmente é necessário.

Meu marido comentou comigo sobre um livro, não me lembro certamente o nome agora, mas é algo do tipo: “Gastando com felicidade”, que mostra que comprar coisas deixam as pessoas tristes sem que elas percebam. Relacionei isso com o texto porque educar nossos filhos tendo como base “compras”, “recompensas materiais”, “shopping”, e afins é um grande perigo. Que tipo de felicidade queremos ensinar a eles? Baseado em que estão os nossos valores?

As vezes o medo que muitos pais possuem de seus filhos não gostarem deles, os faz serem mais amigos do que pais dessas crianças. Esse medo os levam a dizer sim, onde caberia um sensato não.

Para estes pais digo que o mundo precisa de nós. O mundo precisa dos nossos limites. Pergunte para qualquer professora se isso não é verdade. O medo de impor limite aos filhos, com medo de os perder, leva a um aumento exponencial do risco de isto vir a acontecer.

Portanto se você não quer criar um filho mimado, mandão e problemático, dê boas vindas aos conflitos e aos desafios que seus filhos precisam enfrentar sozinhos, transforme-os em canais de aprendizagem. Saiba que dizer não, mesmo que doa um pouco, educa e engrandece. Na hora de educar, deixe claro (para si próprio) que você é a lei. E por último, mas não menos importante, lembre-se: se alguma parte da sua vida (inclusive ser mãe) está sufocando outras partes é sinal de que alguma coisa diferente precisa ser feita. E refletir é um bom começo.

Ótimo fim de semana, queridas mamães!
asupermammy.com

Curta a nossa página!

facebook.com/asupermammy

0

Brincar é divertido e inteligente!

Desde os primeiros meses as crianças se envolvem com brincadeiras e jogos. É dessa forma que elas aprendem, se desenvolvem e interagem com o mundo. As crianças vão crescendo, muda-se a forma do brincar, mas ainda sim, a atividade favorita dos nossos filhos é explorar o mundo e aprender a navegar por ele .

Eu estava observando meu caçulinha (que completou seis meses hoje) brincar com uma simples etiqueta que recortei de uma blusa que estava pinicando muito!. Aquele olhar brilhante, um leve sorriso, uma concentração gigantesca para segurar, virar, lamber algo tao desajeitado e molengo.

Os bebês parecem apaixonados ao descobrirem o mundo. Também, encaram os jogos e brincadeiras como uma profissão, como aquilo que ele faz de melhor. Como se fosse uma necessidade inata da criança o desejo de brincar.

Tudo o que tem nas mãos de um bebê ou de uma criança, faz com que eles criem uma ponte que os ligam rapidamente até uma brincadeira. Colocar tigelas de plástico uma dentro da outra, desenhar com um pedaço de graveto na areia, dar algo para beber a uma boneca com um copo vazio, puxar as meias dos pés… tudo é motivo para brincadeira, tudo se transforma em aprendizado.

Nestes exemplos, é nítido observar a tentativa das crianças de desvendar os mistérios das coisas ao seu redor. Querem ter, sentir, cheirar, segurar e ouvir todas as pistas que as fazem explorar seu pequeno mundo e entendê-lo. E fazem isso brincando. Uma maravilha para o desenvolvimento mental, motor, emocional e social.

Para isso, os bebês – e também as crianças – precisam de espaço e de liberdade para explorar. Também, precisam de tempo, do quanto for suficiente para elas.

A ciência do desenvolvimento infantil nos revela que os bebês são a mais completa e incrível máquina de aprendizagem existente. Conseguem criar conexões neurais e aprendem rapidamente as coisas. Se uma criança pequena aperta o botão do abajur e a lâmpada ascende, e depois aperta novamente e a luz apaga, pronto, tem-se um novo “jogo”, uma nova brincadeira e, assim, uma nova tarefa de aprendizagem é revelada.

Os bebês – um mundo a conceber.

O primeiro brinquedo do bebê é o seu corpo . Ele brinca com os pés, examina suas mãos, experimenta o sabor dos seus dedinhos. Também é fascinado por tudo o que está em sua volta. Quer compreender o que acontece! Quer colocar tudo na sua boca, seja a meia suja do irmão ou uma colher na mesa de jantar.

Nesta etapa o bebê está aprendendo a entender o mundo: “se eu pegar o chocalho, escuto um som”, “se eu jogar a chupeta fora do carrinho, ficarei sem”, “se eu empurrar a porta, ela se abre” .

O que nós podemos fazer nesta fase?

  • Oferecer -lhe uma variedade de coisas para brincar – com formas, cores, texturas e materiais diferentes.

  • Ser companheiros e conversar, sorrir, cantar e mexer em seus pés e mãos.

  • Ler um livro enquanto mostra as imagens (procure livros com várias texturas para que o bebê possa interagir e descobris através do toque)

  • Deixe-o concentrar: se ele está tentando pegar um objeto, quando ele conseguir, não diga nada, apenas observe. Muitas vezes o nosso “Oba, muito bem, você conseguiu!” desvia a atenção do bebê e ele deixa o objeto de lado, deixa também de aprender e se desenvolver mais com aquilo.

  • Coloque objetos do cotidiano, como pratos e copos de plástico sempre disponível (ao alcance). Uma gaveta na cozinha com tigelas de plástico (sempre inofensivos, cuidado!) podem render um tempo de interação e brincadeira enquanto você prepara o jantar.

A criança pequena – verdadeiros construtores!

Quando começam a querer brincar de construir coisas, uma nova fase se inicia. Agora nossas crianças pensam como arquitetos , construtores, padeiros e pintores. Blocos estão empilhados, o papel todo preenchido, tudo feito com entusiasmo e concentração. As crianças começam a criar algo novo.

A partir dos 18 meses, as crianças irão lhe oferecer pedaços de lego para comer, melhor aceitar e dizer que está uma delícia!

O que nós podemos fazer nesta fase?

  • Deixar papel e lápis de cor disponível. Massinha também!

  • Oferecer um brinquedo e tempo para que elas possam brincar. As crianças possuem um ritmo diferente do nosso e se querem construir uma torre, por exemplo, deixem-as construir sozinhas. É claro que nós faríamos bem mais rápido, mas nossa fase já passou. Agora é vez delas!

  •  As crianças não gostam de brincar sozinhas em seu quarto. Por isso, fique por perto ou deixe que brinquem na cozinha, na sala ou no escritório.

  • Continuem com os livros (na verdade, não parem mais!), a leitura é importante para a imaginação, lógica, afetividade e muito mais.

A criança com 3 anos ou mais – fantasiar é a lei!

Quando a criança domina melhor a linguagem, começa a fase dos jogos que precisam de um ou mais jogadores. Na maioria das vezes, é preciso irmos às compras e voltarmos com um jogo de memória, dominó de bichinhos e fantoches na sacola.

Nesta fase as crianças começam a querer mandar, dar ordens e estipular as regras. Quer saber? Não deixa não! Mostre, com carinho e paciência, os limites da sua casa.

Há um grande avanço no seu vocabulário e, assim melhoram as habilidades de comunicação da criança. É uma boa oportunidade para processar as suas próprias experiências e vivências, portanto podemos conversar sempre com elas, isso cria um vínculo que deve ser mantido para sempre. Trocar papéis e fantasiar é uma oportunidade lúdica e criativa na hora desse prosa…

O que nós podemos fazer nesta fase?

  • Deixe a criança usar roupas da mamãe e do papai, perceba se ela tenta agir como nós, se ela é capaz de entender nossos diferentes papéis.

  • Crie oportunidade para que elas brinquem com outras crianças.

  • Permita que tenha tempo e tranquilidade para brincar e não interrompa desnecessariamente.

  • Dê-lhe tantas vezes quanto possível, a oportunidade de correr ao redor da casa, no quintal ou no parque. Isso melhora não só as habilidades motoras (grossa e fina), como fortalece o sistema imunológico. Com pedras, folhas, areia, elas podem brincar muito bem.

Crianças com 6 anos – Eu que ganhei!

Os jogos de regras entram cada vez mais em ação, e agora a única preocupação é saber quem foi o vencedor! Mais do que querer ganhar, as crianças desenvolvem capacidade de raciocínio, lógica e desenvolvimento estratégico durante a brincadeira.

Quanto mais a criança brincar, mais aprenderá. Ela também começa a lidar com a questão emocional: alegria , orgulho, frustração, tristeza, euforia, uma chuva de novos sentimentos aparecem. E, muitas vezes, tornam-se uma tormenta se não forem resolvidos.

No jogo, as crianças podem aprender a lidar melhor com esses sentimentos. Sempre digo aos meus filhos: “Se você não está preparado para perder, também não está preparado para jogar!”. Afinal, jogar é escolher ter o risco da derrota. Mas nem todos sabem lidar com isso, por isso o papel dos pais é fundamental.

Para que uma brincadeira não acabe em choro, ou com pecinhas voando para o outro lado da sala, nós podemos ajudar da seguinte forma:

  • Respeitar a idade sugerida dos jogos. Demanda excessiva leva ao estress e lágrimas. (Claro, cada um conhece seu filho e sabe o que dá para antecipar ou não).

  • Comprar Jogos que também lhe agradam. Afinal, brincar com um jogo chato faz tudo perder a graça. Descubra junto com seu filho jogos que sejam divertidos para vocês dois!

  • Esclarecer as regras antes de começar o jogo.

  • Optem sempre por jogos de tabuleiro! Observem quanto de conversa acontece num jogo de vídeo game e quanto de conversa acontece durante uma partida de UNO, por exemplo. É mais saudável e divertido!

Nenhum pai precisa ser animador de festa nem expert em jogos e brincadeiras. Mas saber o momento que seu filho está e oferecer aquilo que dá prazer a ele é importante pois ajuda-o no seu desenvolvimento.

A relação do brincar com o desenvolvimento psíquico e cognitivo é comprovado, portanto vamos criar mais oportunidades de diversão aos nossos filhos. E eu não estou falando de brinquedos caros. Afinal, nosso tempo e algumas pedras do jardim são de graça, já o resultado… Bem, este não tem preço!

Fotor022712145

2

Mãe, eu tive um sonho…

big wolfAcabo de acordar com minha filha me chamando:

“Mãe! Mãe…” gritava ela em seu quarto. Quando cheguei foi dizendo: “Eu tive um sonho maluco”, e simplesmente virou para o lado e dormiu, sem me contar o incrível sonho que me fez levantar da cama às 2 da manhã!

Os sonhos guiam nossa vida, já os pesadelos podem perturbar a noite de sono de uma criança. Nesse caso, o jeito é acalmá-la trazendo-a de volta para a realidade e passando a segurança necessária para que nossos pequenos voltem para um soninho mais tranquilo e possam descansar mais um pouco. E nós, também!

Uma vez, quando eu tinha 9 anos, sonhei que eu usava aparelho nos dentes (na verdade esse era um desejo real, dá para acreditar?). Só sei que quando acordei fui “seca” pegar meus aparelhos, afinal eu tinha acabado de guardá-los na caixinha! Era “óbvio” que eles estavam ali em meu quarto. Procurei e nada de achar. Perguntei para minha mãe: “Mãe, cadê meu aparelho?” Quando ela me disse que eu nunca havia usado aparelho na vida, me frustrei. Parecia tão, tão real!

Confesso que de uns tempos para cá sonho pouco, ou pelo menos, não me lembro deles. Isso deve ser por causa das noites mal dormidas de uma mãe de recém nascido! Mas no geral, sempre me lembrei dos sonhos e frequentemente eles são muito impactantes para mim.

E com meus filhos é assim também, sonham, se lembram e vivem contando para mim as aventuras e os perigos vividos nesse maravilhoso mundo que existe dentro de cada um de nós. Tem uma cobra, por exemplo, que insiste em aparecer nos sonhos (e pesadelos) do meu filho mais velho. Já tive que dormir com ele várias noites por causa da danada.

Mas por quê as crianças possuem tantos pesadelos? Com o que elas sonham? Como ajudá-los a separar sonhos da realidade?

A maioria dos pesadelos acontece durante o sono profundo, o mais provável é que os pesadelos ocorram no último terço da noite, já depois das quatro da madrugada. As crianças acordam assustadas, confundindo fantasia com realidade e buscam o conforto e o abrigo dos pais. Podem lembrar com detalhes dos pesadelos e nos contar tudinho.

Mas o que provoca os pesadelos?

Agitação por causa de algum probleminha na escola, ansiedade despertada por alguma mudança iminente, alimentação pesada durante a noite, acontecimentos traumáticos como briga ou separação dos pais, um filme ou uma história de suspense vista ou ouvida durante a noite, com fantasmas, E.T.s e monstros, por exemplo, podem ser fatores que despertam o pesadelo durante o sono.

A própria escuridão da noite assusta muitas crianças. Minha filha sempre me diz que tem medo da noite. E eu sempre digo a ela que eu adoro, porque é durante a noite que consigo ver a lua e as estrelas que tanto amo observar. Ela me olha com aquele “olhão arregalado” como quem diz: “que louca é minha mãe”, porque afinal, noite para ela é sinal de bruxas soltas por perto!

Na verdade os pesadelos nascem de um medo, de uma fragilidade natural do ser humano, e revelam-se pela primeira vez já a partir dos 12 aos 18 meses de vida. Criar uma rotina tranquila antes de dormir, ajuda nossas crianças a terem mais sonhos do que pesadelos.

Colocar o filho cedo para dormir, em um ambiente limpo e tranquilo, sem o barulho e agitação externa e com uma iluminação aconchegante proporcionará a ele uma atmosfera perfeita para uma noite de sono e de sonhos.

Evitar televisão a noite, substituindo por uma atividade como pintura ou leitura, faz bem, acrescenta e acalma. Trazendo a paz necessária para a horinha do sono noturno, diminuindo a incidência de pesadelos.

E por falar nisso, nosso papel é muito importante na hora que as crianças acordam de um sonho ruim: se nos procuram por causa do medo que estão sentindo, é porque confiam em nós. Então, devemos retribuir essa confiança dando importância ao sentimento deles, mostrando que a realidade está bem mais segura e tranquila do que os seus pesadelos.

Só por curiosidade, aqui está um ranking dos pesadelos mais frequentes entre as crianças:

  1. Monstros
  2. Precipícios
  3. Insetos
  4. Troca de papéis (O dócil cachorrinho da vida real transforma-se em uma temível ameaça)
  5. Bruxas
  6. Animais Malvados
  7. Perder os pais

Os pesadelos tendem a diminuir conforme as crianças vão crescendo. Ainda bem! Mas como os meus filhotes ainda são pequenos, vou ficando por aqui … Preciso dormir antes que alguma “cobra” ou outro “sonho maluco” me desperte.

Bons sonhos, mamães!

0

Manhêê, cadê minha infância? Adultização infantil.

Olá mamães!

Estava vendo alguns sites de roupas e me deparei com imagens de crianças imitando adultos. Super maquiadas, de salto alto, com roupas nada infantis. Meninas pequenas que mais pareciam mini mulheres. Pesquisando mais, me deparei com os concursos de beleza para criança. Então pensei: estamos voltando no tempo, certeza.

Antigamente, séculos atrás, não existia esse sentimento de infância. As crianças eram apenas mini adultos. Vestiam-se como os mais velhos e logo aprendiam uma função a fazer. Sem escola, sem direitos, sem tempo para brincar. A história da criança é bonita, porque década após década, ela foi ganhando espaço e cultivando o direito que melhor lhe cabe para esta fase: o de brincar!

Como disse Gilbert Keith Chesterton, “A maravilha da infância é que para eles tudo é maravilha.”

Observando essas histórias de concurso de beleza infantil, penso que estamos voltando na história. Inventando “ridiculisses” para que as crianças percam cada vez mais cedo a maravilha da infância.

Mas por de trás de cada “mini mulher”, existe uma mãe e um pai. E isso é espantoso, porque estão fazendo algo de muito mal aos seus próprios filhos. Quando falo em adultização infantil, me refiro a estas posturas, vejam:

adultizacao infantil

A adultização infantil passa por várias esferas: consumismo, rotina cheia de compromissos, vaidade exagerada, sendo essa última o foco da minha indiguinação momentânea.

Afinal, podemos ver nas fotos crianças super maquiadas, artificialmente bronzeadas, que desfilam em trajes de banho para juízes adultos dizerem se elas são bonitas ou não. Sim, me parece um absurdo.

Gostaria de perguntar para essas mães que incentivam suas filhas a participarem de desfiles de modelos, concursos de miss infantil, cinema, televisão, ou o que for: “queridas mães, não acham esse exagero doentio? Qual a vantagem em crescer tão rápido?

Sabemos que há sempre alguém ganhando com berrações que tentam colocar em nossas vidas, em nossa rotina. E esse ganho é enorme! Hoje, podemos encontrar produtos anti envelhecimento para crianças de 8 a 12 anos de idade! Kit infantil com esfoliadores faciais! Sutiãns com bojo para meninas a partir de 6 anos!

A indústria ganha dinheiro. Nossas crianças perdem a infância. Precisamos salvá-la para que o mundo ainda tenha jeito. Exagero?

A brincadeira faz parte da infância, e possibilita o desenvolvimento da área cognitiva, biológica, motora, social e afetiva. Tudo o que acontece nessa fase é fundamental para o resto da vida de uma pessoa, uma vez que sua personalidade e seu caráter estão em formação.

Pular esta etapa da infância ou antecipar a vida adulta é um equívoco que deixa sequelas problemáticas. A infância existe e é preciso respeitá-la.

Mas como saber o limite entre o exagero e a vaidade infantil?

O fantasiar faz parte da vida, faz parte do faz de conta infantil. Enquanto for brincadeira é saudável passar batom, por exemplo. A partir do momento que isso vira rotina, que isso vira lei, “Ai ela não sai de casa sem fazer as unhas!”, então, temos o exagero.

Crianças perdendo horas em salão para fazer as unhas toda a semana, sim, parar mim isso é exagero. Na maior parte da vida nós somos adultos, vamos deixar nossas crianças serem “apenas” crianças. E para isso elas precisam de tempo. Tempo para brincar!

A Super Mammy.

Às mamães ansiosas para verem suas filhotas crescerem, deixo essa música lindinha: “Tente entender”, do Palavra Cantada.

2

Preparem a pipoca… 50 filmes da infância para assistir com a criançada! Parte 1

Olá Mamães!

Listei os 50 filmes mais marcantes de quando eu era criança e desde setembro passado estou assistindo juntinho aos meus filhotes! Está sendo uma experiência incrível, eles adoram! A cada filme, uma nova história para contar de quando eu era pequena. Eles prestam uma super atenção!! A curiosidade é enorme em saber como eu e o papai éramos na infância, o que fazíamos, do que e com quem brincávamos…

Um ponto negativo? São super difíceis de serem achados. Por isso, vou linkar as imagens ou títulos, assim vocês encontrarão os filmes mais rápido. Espero que gostem e que aproveitem esses momentos de diversão em família!

Farei em duas partes. Hoje 25 títulos e quarta feira, mais 25. Beijinhos!

Você também pde gostar de:

50 filmes da infância para assistir com a criançada! Parte 2

50 filmes da infância para assistir com a criançada – a Super lista do Super Mammy!

a couch

1. Esqueceram de mim (1990): Quem se lembra do grito da mãe desesperada: “Ke-viiinnn!” ? A ação começa quando o mala sem alça Kevin (Macaulay Culkin) é esquecido em seu sotão, depois de uma agitada noite em família. Quando amanhece, ele descobre que está sozinho em casa e a festa começa! Até ele ter que enfrentar uns ladrões atrapalhados que querem assaltar a sua casa. As armadilhas que Kevin prepara irão fazer com que ele defenda seu lar até seus pais voltarem das frustradas férias natalinas. Duração: 103 Minutos. Livre.

2. Esqueceram de mim 2 – Perdidos em Nova York (1992): Desta vez, Kevin (Macaulay Culkin) se perde no aeroporto após seguir um homem, confundindo-o com seu pai. Enquanto a família foi curtir as férias na Flórida, ele viajou para Nova York com o cartão de crédito do seu pai. E viveu divertidas aventuras até se encontrar novamente com a sua família. Duração: 120 Minutos. Livre. (Clique aqui)

3. E.T. (1982): Como não se apaixonar por aquele “etezinho” achado por um garoto no meio da floresta? No filme, este ser do outro planeta  econtra um grupo de crianças legais que o ajudarão a voltar para sua casa. É um clássico do cinema dirigido por Spielberg. Duração: 115 minutos. Livre.

4. Jamaica abaixo de zero (1993): Um filme de comédia e emoção que conta a história de um grupo de esportistas jamaicanos que se unem para disputar, acreditem se quiser, uma modaliadde dos Jogos Olímpicos de Inverno. Saindo do extremo calor, para o extremo frio, vivem uma história emocionante de superação e amizade. Duração: 97 minutos. Livre. (Clique aqui)

5. A Família Addams (1991): Essa família peculiar e de arrepiar está prestes a sofrer um golpe e perder seu tesouro. O plano bolado para roubar os Addams, elaborado pelo advogado picareta da família, não foi executado conforme o previsto. Revelando uma série de esquisitisses dessa adorável família! Duração: 99 minutos. 12 anos. (Clique aqui)

6. A convenção das bruxas (1990): Esse filme é muito bacana! Um novo plano é discutido entre as bruxas: transformar todas as crianças em ratos. Mas um menininho esperto, hospedado no mesmo hotel onde estava ocorrendo a tal convenção, descobre o plano. E tentará impedir, mesmo transformado-se em um rato… Uma aventura roedora de tirar o fôlego! Duração: 91 minutos. Livre. (Clique aqui)

7. A princesinha (1995): Sara é uma menininha linda, que vivia em um lugar mágico, na Índia, com seu amoroso pai. A história começa a mudar quando ele é chamado para a guerra e Sara levada para morar em uma escola de meninas. Quando chega, encontra um lugar triste, amedrontado pela autoritária diretora. Aos poucos, vai ensinando a todas as garotas que a alegria mora dentro de nós. Teve duas indicações ao Oscar em 1995. Duração: 98 minutos. Livre. (Clique aqui) 

8. Querida encolhi as crianças (1989): Esse filme é uma aventura do início ao fim. As crianças aqui em casa amaram e já assistitram várias vezes. Dá para ter uma ideia de como é ser do tamanho de uma formiguinha, e viajar no mundo mínusculo imaginado pelo diretor Joe Johnston. Duração: 93 minutos. Livre.

9. Beethoven – o maguinífico (1992): Perdido pela cidade, o cachorro encontra uma família que logo se apaixona por ele, mas cujo pai não o quer por perto de jeito nenhum. Após algumas histórias e aventuras, a impressão inicial pode mudar, e quem sabe o pai aceita Beethoven na família! Duração: 87 minutos. Livre. (Clique aqui)

10. Free Willy (1993): A baleia perde sua família por causa dos pescadores, mas encontra em Jesse, um verdadeiro amigo. Juntos brincam e nos divertem em uma deliciosa histórinha. As crianças vão adorar!  Duração: 112 minutos. Livre. (Clique aqui)

11. Denis, o pimentinha (1993): Coitado do senhor Wilson, com um vizinho desses ninguém precisa de inimigo. Esse filminho é bom para mostrar às criancas tudo aquilo que NãO se faz!! Uma história de amizade e travessuras. O filme é legal, mas prefiro os desenhos que passavam de manhã no SBT. (Isso há duas décadas… só entre nós! rsrs). Duração: 95 minutos. Livre. (Clique aqui)
12. Uma babá quase perfeita (1993): O sofrimento de um pai, após a separação, por não ver mais os filhos diariamente, faz com que Daniel Hillard (Robbin Willians) se ofereça para ser babá de seus filhos. Detalhe: sem que ninguém saiba quem ele é de verdade. Uma linda história. Duração: 126 minutos. Livre. (Clique aqui)
13. Os batutinhas (1994): Os garotinhos do “Clube de meninos anti mulheres” se preparam para uma grande corrida. Mas um apaixonado surge no grupo, quase estragando a corrida e a união dessa turminha fofinha! Duração: 82 minutos. Livre. (Clique aqui)
14. Os Flintstones (1994): Esse filme é muito legal, assisiti no cinema! Conta a história de uma oferta de trabalho que quase colocou em risco a amizade e o amor da família e dos amigos. Duração: 82 minutos. Livre. (Clique aqui)
15. Gasparzinho, o fantasminha camarada (1995): Uma mansão mal assombrada, e uma dona aflita para vendê-la, deveria ter seus fantasmos explusos de lá. James, um terapeuta de fantasma, é contratado para dar fim a missão. Mas sua filha cria uma amizade com Gaspazinho e eles se metem na maior confusão. Duração: 100 minutos. Livre. (Clique aqui)

16. Baby, o porquinho atrapalhado (1995): Essa é a história de um porquinho que é pastor de ovelhas. Fofa e encantadora. Foram precisos 40 porquinhos atores para se revesarem nas cenas do filme. Duração: 91 minutos. Livre. (Clique aqui)
17. Space Jam, o jogo do século (1996): Com Michel Jordan no elenco, o filme mistura atores com os personagens da  “Looney Tunes”. Assista essa emocionante partida entre terrenos e alienígenas. Duração: 88 minutos. Livre. (Clique aqui)
18. Os goonies (1985): Uma turminha de amigos, os goonies, encontram uma mapa do tesouro e vivem inúmeras aventuras ao irem buscar o tão desejado prêmio. Só não esperavam esbarrar em tantos piratas pelo caminho!  Duração: 114 minutos. Livre. (Clique aqui)
19. Meu primeiro amor (1991): Esse filminho é lindo, mas ainda não assisti com as crianças. Acho que vou esperar mais, por causa do desfecho do filme. Uma história de amizade, amor,  desencontros e relação pai e filha. Duração: 102 minutos. Eu não consegui saber se é livre ou não!
20. Matilda (1996): Matilda é linda, extraordinária e muito inteligente. Infelizmente, seus pais (Danny Devito e Rhea Perlman) não percebem seu talento para não dizer outra coisa! Para piorar, estuda em um colégio com uma diretora que é uma megera malvada. Mas Matilda descobre que tem poderes sobrenaturais e começa assim uma revolução em sua vida. Duração: 98 minutos. Livre. (Clique aqui)
21. Operação cupido (1998): Conta a história de duas garotas gêmeas, que só se conhecem durante um acampamento de verão e descobrem que uma delas não conhece o pai e a outra não conhece a mãe. Então, elas trocam de lugar para poder conhecê-los e juntar os pais de novo. Será que deu certo? Duração: 128 minutos. Livre. (Clique aqui)
22. Olha quem está falando (1989): Conta a vida de uma mãe solteira e, ao mesmo tempo, como essa rotina é vista na visão de um bebê. Acho muito legal e as crianças amaram!!! Duração: 92 minutos. Livre. (Clique aqui)
23. Olha quem está falando também (1990): É a continuação do filme. Molly se casa com James para a alegria do bebê, que neste filme já está um mocinho. Em meio a uma crise conjugal, mole engravida e dá a luz a uma companheirinha para as aventuras do bebê falante! Uma delícia de história! Duração: 81 minutos. Livre. (Clique aqui)
24. Vida de Inseto (1998): Adoramos esse filme!! Criativo, divertido e fofinho. Uma aventura e tanto para os baixinhos assistirem! A risada é garantida. (Mesmo sendo livre, acho que possui uma ou outra cena “fortinha” para os pequenininhos. Então dá para assistir agarradinha com os pitucos! Duração: 96 minutos. Livre. (Clique aqui)
25. Corrina, Corrina (1994): Conta a história de um pai jovem e publicitário que se vê viúvo e precisa encontrar alguém para cuidar da sua filha, calada desde a morte da mãe. Eis que surge Corrina para dar uma “revira volta” na história! Duração: 114 minutos. Livre. (Clique aqui)
1

10 formas de ajudar seu filho a ser mais solidário no futuro.

Que mãe não gostaria de ver seu filho vivendo em uma sociedade mais justa e equilibrada?

Como em muitos lugares isso ainda não é possível, penso que devemos levantar as mangas e despertar dentro de nossos filhos esse desejo de “um mundo melhor” .

Utopia? Por que não? A utopia pode NãO nos levar à “paz mundial” (dando uma de Miss Mundo agora! rs), mas ela nos faz caminhar em direção a ela. E quando caminhamos, nos movimentamos. E mesmo que pouquinho, esse movimento contribui para uma transformação.

E toda transformação social, acredito eu, vem de um desejo pessoal, incentivado pela família, pela escola ou por um movimento. Acredito no poder das mães. E dos pais também, claro. Somos sim grandes agentes transformadores. Se todas as mães e pais educassem suas crianças no mais amplo sentido possível, talvez a nossa sociedade estivesse melhor.

Sempre digo aos meus filhos que o mais importante é ter um bom coração. E toda situação de conflito que acontece aqui em casa, na escola ou onde quer que estejam, analisamos juntos a apartir desse olhar. Acredito que a solidariedade traz benefícios para o mundo, mas acima de tudo faz um bem “danado” para nós. Vamos plantar hoje essa semente!?

10 formas de ajudarmos nossas crianças a serem mais SOLIDÁRIAS:

1. Nada ensina mais que o exemplo, portanto sejamos aquilo tudo que desejamos aos nossos filhos: que eles sejam respeitados, então devemos respeitar hoje as pessoas. Que eles estejam seguros no trânsito, então que não passemos no sinal vermelho de dia ou de noite. Que eles tenham saúde, então vamos nos alimentar com qualidade nas próximas refeições.

2. Solidariedade horizontal. Todo ano as crianças separam uma sacola de brinquedos para doar. E doamos. Portando, uma ação é feita. Mas de que forma isso aconteceu? Que sentimentos e que valores guardaram as crianças nessa ação? A solidariedade vertical é aquela em que doamos algo que não precisamos, para alguém que precisa. É uma relação de cima para baixo. Do “grande” para o “pequeno”. Por isso, chamada vertical. Devemos tomar cuidado com ela para não despertarmos um sentimento de superioridade nas crianças. Esta solidariedade vertical é aquela que deve ser praticada pelo Estado, é dever dele garantir o direito que todas as crianças possuem de brincar, como no exemplo acima. Já a solidariedade horizontal, esta sim é positiva para a educação dos nossos filhos. Porque é por meio dela que mostramos às nossas crianças que todos nós fazemos parte de uma sociedade, e que se todas as crianças estivessem na mesma linha, com seus direitos garantidos, hoje moraríamos em um lugar justo e tranquilo. Portanto, ajudar dessa forma (solidariedade horizontal) não é apenas dar aquilo que não nos serve, é fazer cumprir os direitos que TODOS nós possuímos, porque não somos nem maiores e nem menores que ninguém.

3. Cuidado com o que for doar: Não se pode misturar a ação de “doar” com o pensamento “jeito de se livrar de coisas quebradas e inúteis”. Isso não combina. A gente doa a roupa que não serve mais porque está pequena, por exemplo, e não porque está furada. A gente doa a televisão antiga porque compramos uma nova, e não porque ela se quebrou. Quem tem coragem de doar uma boneca ou um carrinho quebrado para uma criança que pouco possui? Pois eu já vi muito isso! Quando participava da coleta de brinquedos para doar à crianças carentes em um centro social, muitos brinquedos recebidos para doação vinham completamente sem chance de ser usado. Então, enquanto ajudo as crianças a separarem os brinquedos vou refletindo com eles: “vocês gostariam de ganhar isso?”.

4. Aprender com o outro. Somos solidários, por exemplo, ao ouvirmos uma pessoa mais velha contar suas histórias. Doamos nosso tempo, e a pessoa revive momentos, às vezes especiais, guardados na memória. E isso faz bem para ambos. Estimular a criança a conversar com os mais velhos (avós, bisavós, por exemplo) faz bem, porque ela aprende a escutar, a ser amigável, solidária e acima de tudo, aprende que toda pessoa tem algo a nos ensinar.

5. Cofrinho para o natal: é uma ideia concreta que incentiva o sentimento de solidariedade nas crianças. Durante o ano, podemos fazer um cofrinho para que todas as pessoas da casa ( e por que não as visitas que se sentirem motivadas) possam dar as suas contribuições. O objetivo é muito pessoal, vem de cada família. Talvez comprar uma roupa bem bonita para uma criança de um orfanato, ou participar do “Natal solidário dos Correios”, cujo objetivo é dar uma resposta às cartas das crianças (muitas em situação de vulnerabilidade social) que escrevem ao Papai Noel e, se possível, atender aos pedidos de presentes feitos por elas.

6.Participar de uma ONG: outra ideia concreta! Levar as crianças a participarem de qualquer ação coletiva e solidária! Seja no clube, na escola, na igreja, em uma ONG ou centro social. Agir e ver outras pessoas agindo, trabalhando juntas por outras pessoas, é uma lição de vida e um exemplo nobre, que deveria ser vivido com frequência.

7. Oferecer ajuda: Lembram do primeiro tópico, “nada ensina mais que o exemplo”? Pois bem, ajudar as pessoas no dia a dia é um exercício de cidadania. Abrir a porta do carro para alguém entrar, ajudar uma pessoa a pegar algo que deixou cair no chão, “segurar” a porta do shopping ou do elevador para facilitar a entrada de outras pessoas, ajudar a “tirar” a mesa após o almoço e jantar, levar seu lixo até o lixo e não deixar em lugares públicos…. Todas estas e outras ações diárias são notadas pelos nossos filhos que passam a seguir os nossos exemplos. Vamos, então, fazer coisas boas. Quantas oportunidades temos todos os dias de ajudar alguém?

8. Ser solidário com um amigo na escola: Incentive seu filho a ajudar algum colega na escola. Isso é um ótimo exercício de solidariedade, afinal eles terão a oportunidade de mudar uma situação desagradável real e se sentirão orgulhosos. Como? Converse com ele sobre bullying, e o encoraje a ser solidário com um alvo (informações no blog: Bully NO Bullying). Ou ainda, diga que uma ideia legal é ajudar um colega novo na escola a conhecer e interagir com os grupos já existentes. Ou, quem sabe, até incentivá-los a fazerem uma campanha beneficente (recolher agasalhos no frio para doar, ou uma campanha para trocar livros entre os alunos), ideias não faltam!

9. Sempre se colocar no lugar do outro: esse é um exercício que faço a todo momento com as crianças e comigo mesma. Afinal, a gente erra e muito. Pior do que errar, é não ver que errou, então vamos refletir?! Adoro quando acontece uma briguinha com as crianças aqui em casa! Seria loucura? Não, eu explico. Dá para pegar a criança, botar ela no sofá e falar: Hoje vamos conversar sobre mordidas? Até dá, afinal nada é impossível! Porém, não existe hora mais oportuna e eficiente para EDUCAR do que após um conflito! Os conflitos são canais, pontes para o aprendizado de muitos valores, portanto devemos aproveitar. “Filha, você acabou de morder seu irmão, e eles está bravo: você gostaria que ele fizesse isso com você? Dói e isso não se faz”. Ajudar a criança a refletir sobre sua ação é importante desde pequenos, mesmo que no comecinho da infância eles estejam preocupados demais consigo próprio. Vale a pena essa prática!

10. Há perigo em ser solidário? Esse dilema é grande em mim, e gostaria da opinião de vocês, mamães! Como esse assunto de solidariedade e ajudar o próximo é muito vivo nos meus filhos, às vezes meu marido e eu passamos por “apuros”. O último exemplo foi no final do ano. Estávamos de férias em Campinas, quando a noite, um moço nos abordou no carro para pedir dinheiro. (Antes de continuar, tenho uma confissão! Eu dou dinheiro no semáforo! Sei que tem os seus milhares de pontos negativos, que é ruim para eles, mas meu coração aperta e por um segundo eu penso “em não vou dar” e quando vejo, o troquinho já está dado e eles já estão fazendo joia para as crianças no carro). Voltando ao exemplo, nesse noite, quando vi o moço se aproximando tive um mau pressentimento e disse ao meu marido: “Não abra a janela!”, com um sinal e um sorriso disse ao moço que não tinha dinheiro. Por sorte o sinal abriu e seguimos. Eis que meu filho indaga: por que não ajudamos aquele homem? Eu disse que não tinha nenhuma moedinha e disfarcei. Agora eu pergunto mamães, como ensinar as crianças a noção do perigo, da violência que é real, sem deixar de lado a grandeza do doar, de ser solidário? Qual é a medida certa? Como queremos que eles se relacionem, quando aquele conselho “não converse com estranhos” é dado? Dilema grande, afinal eles são pequenos ainda para eu contar coisas reais que acontecem. Explico que o mundo está cheio de perigos, que algumas pessoas podem fazer mal a outras e que tem até gente grande que pega crianças. Mas não vou além. Acho cedo ainda mostrar o lado cruel do mundo.

Afinal, o mundo tem mais gente boa do que má, e crescer com essa certeza deixa a criança mais positiva no futuro (volto nesse assunto em outro post, prometo!!).

Beijos, Super Mammy.

Fotor0129113544