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Como saber se a agressividade do meu filho pequeno já passou da conta?

Olá mamães! Essa semana eu publiquei uma matéria aqui no blog sobre O BULLYING na Educação Infantil. Como mãe, preciso me preocupar desde cedo com isso? A resposta é Sim! . Recebi algumas perguntas e algumas delas falavam sobre como identificar a agressividade na criança como algo fora do controle. Então, resolvi escrever para vocês um pouquinho mais sobre este tema.

Como saber se a agressividade é ou tornou-se um desvio de conduta?

A infância é um grande período de aprendizado e transformações. De acordo com a idade, algumas ações são esperadas ou aceitas como parte integrante desta etapa da vida. Pensando na agressividade, esta tende a diminuir a partir do momento que a criança domina a linguagem, desenvolve-se emocionalmente e socialmente e passa para outro estágio.

Imagem retirada do site Bullying não é brincadeira.

Porém, o que fazer quando a agressividade na criança não diminui? – Primeiro é preciso observar, refletir e entender alguns fatores importantes.

O comportamento agressivo pode ser acentuado ou atenuado de acordo com o ambiente familiar no qual a criança está inserida. Uma criança que vive em um lar cuja violência física e verbal acontece constantemente pode aprender com os exemplos de seus pais e tornar-se agressiva também.

Ou então, uma criança extremamente mimada e que não possui em casa limites para as suas atitudes, encontra dificuldades na hora de dividir brinquedos e a atenção com os colegas durante a sua permanência na escola, podendo escolher o caminho da agressividade como válvula de escape.

Quando a criança pequena entra na escola é muito marcante para ela a diferença que é estar em casa e estar na escola, principalmente nos seus primeiros meses na escola. Em casa, a criança geralmente é o centro das atenções, mesmo antes de nascer já conquistou a família e, caso não seja o único filho, quando tem que dividir seus brinquedos é apenas entre os seus irmãos.

Na escola, inserir-se no grupo é tarefa difícil para muitos. A criança divide a atenção da professora com os seus colegas de classe, assim como divide o brinquedo, o lugar ao lado de determinado amiguinho e os espaços escolares. Os conflitos surgem, e a agressividade pode aparecer como consequência.

Acontecimentos pontuais.

Algumas situações são extremamente marcantes na vida das crianças: a separação dos pais, a perda de um animal de estimação, a morte de uma pessoa próxima a ela, o melhor amigo que foi para outra cidade, a mudança de casa e de escola, a viagem longa do pai ou da mãe.

Todos estes acontecimentos geram uma enxurrada de sentimentos, e muito provavelmente a criança não sabe como lidar (nem nós, né?). Quantos casos nós já ouvimos ou presenciamos de comportamentos agressivos em crianças que acabaram de ganhar um irmãozinho? Com o tempo ela aceita o novo membro da família, mas naquele momento, a agressividade foi a forma que encontrou de se expressar e de interagir.

Os pais e os professores de educação infantil devem mediar os conflitos levando-os sempre a um crescimento, a uma construção. Eu sempre digo que não existe hora melhor para ensinar uma criança sobre convivência e cidadania do que após uma briga com o irmão, ou mediante a um conflito. Porém, nós mães, pais e professores podemos nos deparar com situações em que a resolução não está mais em nossas mãos.

É muito importante entender que, quando a agressividade persiste por muito tempo sem que haja aspectos momentâneos que estejam acarretando a sua permanência, podemos dizer que há um desvio de conduta. Neste caso, nós devemos buscar a ajuda de um especialista.

Quero destacar que a agressividade existe na infância e pode ser desencadeada pela falta de limites, ausência de carinho e atenção, acontecimentos passageiros na vida da criança, ou até mesmo por não saber interagir com o outro senão, por meio da agressão.

Nós podemos mostrar aos nossos filhos outras maneiras de resolver os conflitos sem a utilização da violência, evitando encaminhar ao especialista crianças que não possuem transtorno de conduta. Nem sempre a agressividade está ligada a um transtorno, na maior parte das vezes ela é passageira. Quando há a necessidade de um encaminhamento, este deve ser baseado em fortes indícios, uma vez que a agressividade está presente na infância de forma natural.

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Crianças bilíngues. A experiência de dois brasileirinhos na Alemanha.

Olá Mamães, Fotor0127100242

Quando nos mudamos para a Alemanha, a nossa maior preocupação era com relação ao aprendizado do segundo idioma pelas crianças. Afinal, eles eram tão pequenininhos e eu ficava imaginando como seriam os primeiros dias na escolinha.

Quantas e quantas vezes eu me perguntei: Como é que eles vão aprender alemão? Como vão se comunicar na escolinha? E para ir ao banheiro, ou comer, meus Deus, como farão?

Essas angústias foram dando lugar a vivência e muita leitura sobre a educação bilíngue, que nunca me deixou dúvidas quanto aos seus benefícios, mas sim, em qual momento começar?

Meus filhos foram acolhidos por professoras maravilhosas e isso facilitou muito o processo de adaptação. Em duas semanas as crianças já sentiam prazer em ir à escola. Em dois meses, podiam comunicar-se eficientemente com o vocabulário até então aprendido e hoje, dois anos e meio depois, vivem uma rotina escolar e social parecida a de uma criança alemã, com as facilidades e dificuldades de cada fase e etapa da vida.

Eu fiquei realmente admirada com a capacidade que as crianças possuem de adaptar-se a uma nova língua e cultura. Mesmo assim, a todo momento eu me perguntava o que é que as crianças precisavam para que tivessem um bom desenvolvimento linguístico?

E hoje escrevo aqui para vocês, mamães, alguns aspectos que aprendi e vivi ao longo desses dois anos e meio como mãe de crianças em processo de aprendizagem bilíngue.

As crianças podem aprender bem diversas línguas

As crianças pequenas podem aprender duas ou três línguas desde que sejam bem apoiadas. Desde que faça sentido a utilização da segunda língua na sua vida, não somente na escola. Quando crescem nesse ambiente, conseguem desde cedo estimular as sinapses cerebrais. Segundo Flory, “O bilinguismo não aumenta a inteligência, mas exerce uma influência sobre a habilidade cognitiva”.

Que língua falar com seus filhos?

Fui muitas vezes aconselhada a falar alemão com meus filhos: “fale alemão com seus filhos porque assim será mais fácil para eles na escola”. Esse conselho é errado. O que aprendi na pedagogia alemã é que devemos falar com nossos filhos na língua em que falamos mais espontaneamente e melhor, sendo esta, na maior parte das vezes, a língua materna. Dessa forma, uma rica base linguística será formada dando a base para o aprendizado de outras línguas.

O cotidiano da família é importante para o desenvolvimento da língua. É na FAMÍLIA que as crianças APRENDEM a sua primeira LÍNGUA.

Mas o que de concreto a família pode fazer para ajudar o desenvolvimento linguístico de seus filhos? Separei algumas dicas que valem para o aprendizado da língua materna e, também, para uma segunda língua.

1. Sentir prazer em falar.

Com crianças pequenas não podemos ensinar a gramática e ortografia. Elas aprendem ouvindo e falando. As conversas diárias são muito importantes para elas, que aprendem melhor quando se sentem bem e sem medo de fazer erros. Algumas vezes elas fantasiam palavras, brincam com a língua, o que é bom para o desenvolvimento da linguagem. Não é favorável ao desenvolvimento da língua que se faça muitas correções quando a criança comete erros. As crianças que são muitas vezes corrigidas, perdem o prazer de falar e contar coisas.

2. Verem livros em conjunto.

Quando os pais leem junto com seus filhos – de preferência todos os dias – o vocabulário é enriquecido, contribuindo para a sua escolarização e socialização. Mas é importante que se tenha prazer em ler e ouvir a história. E quando os adultos interrompem a história para fazer inúmeras perguntas, as crianças podem perder o interesse. É interessante lerem livros em outras línguas, e depois conversarem sobre ele na língua materna. Dessa forma, as crianças podem “sentir” a língua.

3. A televisão não é suficiente.

Quando veem televisão, as crianças pequenas concentram-se mais nas imagens do que na fala. Elas aprendem melhor quando escutam uma historinha, seja por meio de um CD ou contadas pelos pais.

4. Viver com dois idiomas – as crianças precisam de um “modelo”.

Os pais são um modelo importante, e quando estão aprendendo também um novo idioma – como no meu caso em que tive que aprender o alemão – as crianças notam o esforço de seus pais no aprendizado de outra língua. Também, notam a nossa forma de falar a língua materna, o que contribui na importância de se aprender as duas, e não substituir uma por outra.

5.Músicas.

Mesmo sem entender as letras das músicas e o significado das palavras, a mera audição desenvolverá nas diversas regiões cerebrais das crianças pequenas, os canais neurais apropriados à aquisição posterior da língua. As crianças que tenham se familiarizado com os sons de duas línguas, será capaz de fixar o segundo idioma em redes neurais tão estáveis, que continuará dominando-a ainda que tenha deixado de utilizá-la por anos.

6. A língua é um tesouro.

Falar duas línguas e mais tarde poder dominá-las bem é um tesouro que seu filho possui, no sentido que isso pode ajudar-lhe na sua vida e na sua profissão.

E esse tesouro ninguém pode lhe tirar!

Mamães, que delícia é ver o desenvolvimento de nossos filhos, não é?

Beijinhos e até quarta!

(trecho da nossa primeira festinha no kindergarden das crianças, com apenas 2 meses de interação escolar)

Fontes:

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Uma escola diferente.

Todos os dias ao entrar na escola do Gi, meu filho mais velho, ainda fico surpresa (talvez assustada) em ver aquela criançada toda sozinha, livre. Pelos cantos ou no meio do pátio, elas estão ali estudando, brincando, cantando, correndo, dormindo, lendo, jogando xadrez, conversando, recitando, tocando piano… de repente um passa com uma bandeja de bolo na mão, cheiroso, acabaram de fazer!

Os professores sobem e descem as escadas, entram e saem das classes sempre rodeados de crianças, como se fossem super amigos, e são. Tem sapato por todo lado. Mas o Gi nunca perdeu o dele. É uma “bagunça” que funciona. Na classe do Gi, primeira, segunda, terceira e quarta série tudo junto, todos juntos. Difícil de imaginar como transformar aquela energia toda em aprendizado. O professor não é o único a falar e nem o único a escolher, formular regras, cobrá-las. Os alunos são atuantes e participam verdadeiramente disso. A frase “regras são regras” está entre as dez mais faladas pelo Gi.

Os alunos são gentis, seguram a porta para eu passar com o carrinho do Lucca, meu bebê. Porta esta que está sempre aberta para quem quiser entrar ou sair, ai que medo! As angústias de mãe são tantas. De mãe pedagoga mais ainda rs. Nunca vou achar a escola ideal. Será que ela existe? Será que ela precisa existir? Embora esta se aproxima muito do que sempre sonhei para uma escola, a “crença” na escola tradicional às vezes me assombra.. A solução? A solução é levantar as mangas, continuar e complementar o “trabalho” em casa. A satisfação de vê-lo feliz, crescendo como aluno e principalmente como pessoa, diminui a angústia e alegra meu coração…

A escola do meu filho chama-se Einchendorff Schule, e possui uma metodologia baseada nas escolas democráticas. Ele possui semanalmente um guia de tarefas a ser cumpridos, de matérias a serem estudadas. Porém, ele é livre para fazê-las no momento em que achar melhor. Então bate aquela insegurança, sabe?! Meu filho, como toda criança, trocaria fácil essa lista de tarefas por brincar, brincar e novamente brincar. Meu medo era justamente dele tornar-se desmotivado a aprender.

Mas ao longo desses últimos meses (ele estuda nessa escola desde maio/2013) percebo que isso não ocorreu, ele brinca e sabe cumprir, também, suas obrigações. Enfim, não é uma escola de loucos onde as crianças apenas brincam, como cheguei a pensar em alguns momentos. E sim, uma escola que leva a sério a construção integral do ser, ou seja, uma escola que almeja educar as crianças enquanto alunos e pessoas. Não é algo técnico, como muitas escolas que preparam o aluno desde pequenos para passar no vestibular, e muitas vezes, se esquecem de preparar estes alunos para a vida, agentes na sociedade. Estudar a vida inteira apenas para passar no vestibular, talvez seja algo egocêntrico demais.

Escolas como a Eichendorff ainda chocam por serem muito diferentes das primeiras escolas, nascidas nas indústrias, mas que sobrevivem ate hoje, as chamadas escolas tradicionais. As escolas democráticas, ou as Escolas Novas, nos mostraram que é possível ensinar diferente, de forma livre e com sucesso.

“… onde havia autoritarismo, haveria democracia, onde havia valores conservadores, haveria os ideais de justiça baseados na igualdade e equidade, onde havia desrespeito, haveria carinho e amor … Foi neste contexto político pedagógico que autores como Jean Piaget começaram a realizar investigações cujos resultados quase sempre referendaram a visão otimista dos escolonovistas em relação à criança:… com liberdade, ela (a crianca) é capaz de desenvolver a capacidade de autogoverno, poupada do autoritarismo adulto, de seus sermões e castigos, é capaz de alcançar a autonomia moral; ao abrigo das tiranias curriculares, é capaz de organizar sua aprendizagem.” Yves de la Taille.

Apenas para deixar registrado, a primeira escola democrática surgiu em 1850. Desde então, somam-se mais de 195 escolas em 29 países. E foi baseado em inúmeras pesquisas, reportagens e livros sobre este tipo de escola, que decidi, juntamento com meu marido, deixarmos o Giovanni nela (apesar de ser uma escola em que sempre sonhei em trabalhar, estudar, enfim, que sempre desejei conhecer, quando me deparei frente a frente com a possibilidade do meu filho estudar em uma delas, fiquei, inicialmente, insegura).

O que vocês pensam sobre as escolas democráticas? Quais as experiências de vocês, positivas ou negativas, com esta estrutura pedagógica? Hoje teremos reunião de pais na Einchendorff… Oba! Dia de saber um pouquinho mais sobre como meu filho se comporta longe de mim, de saber se estou no caminho certo para uma boa educação de valores.

Fonte:

Singer, Helena. República de Crianças. Sobre experiências escolares de resistência. Mercado das letras. 2010.

“Freie Schulen: Eine weltweite Bewegung”, 1997, Singer.

Deixo um link para um artigo interessante sobre o tema:

   http://www.publico.pt/temas/jornal/quando-a-escola-deixar-de-ser-uma-fabrica-de-alunos-27008265

A Super Mammy.