As angústias de uma mãe na primeira viagem da filha com a escola. Reflexões de um coração apertado!

Os filhos crescem, eu sei. É normal, é natural, faz parte da vida, que assim seja para sempre, se Deus quiser. Mas em determinados momentos da vida, em certas ocasiões, o coração de uma mãe se aperta em ver o filho crescer, quase sempre com a sensação de que tudo está passando depressa demais.

Essa é uma daquelas noites difíceis de dormir. Amanhã cedinho minha filha vai viajar com a escola e voltará sábado, logo no dia seguinte. Ela só tem 5 anos e eu quase disse não para este evento. Mas a vontade dela era tanta, ela estava tão cheia de expectativas que não pude negar essa alegria a ela.

Aqui na Alemanha tenho a sensação de que os pais são mais tranquilos e cuidam de seus filhos para que eles sejam logo independentes. Isso é bom, mas ser assim ainda é uma dificuldade para mim. Levo e busco na escola meu filho mais velho, de 8 anos, enquanto crianças da mesma idade já vão para a escola há muito tempo sozinhas.

Aqui é bem comum ver crianças pequenas indo para escola ou voltando para casa de bicicleta, enquanto seus pais as seguem de carro. É uma espécie de treinamento para ver como a criança se comporta, se sabe o caminho e as regras de trânsito. Acho interessante, prático e educativo. Mas por um bom tempo, ainda vou levá-los comigo.

Essa diferença cultural tem muito haver com o pós guerra. Naquela época os alemães foram convidados e motivados a reconstruírem o país. Vi um documentário interessante esses dias que mostrou como a Alemanha se reergueu com a ajuda de seu povo. Muitas crianças ficavam em casa sozinhas enquanto seus pais estavam construindo o país. E isso impactou na cultura e mudou a dinâmica familiar dessa nação.

Como não nasci na Alemanha e ainda por cima tenho sangue di una vera mama italiana, encontro dificuldades em soltar os filhos no mundo. Mas estou progredindo, afinal minha filha vai se esbaldar de tanto brincar amanhã, em um parque com piscina e tudo, depois de viajar de ônibus para outra cidade só com a turminha do kindergarden!

E eu vou ficar em casa, com o coração apertado, como se um pedacinho de mim estivesse se desgrudando. E está. Quem disse que ser mãe é escolher ter o coração para sempre do lado de fora estava certo. Pode parecer um exagero, um drama desnecessário, um filme de amor dos mais chinfrins, mas vai cutucar os ovinhos de um ninho e conhecerás a fúria de uma mãe coruja.

Essa sou eu. Essa somos nós, mães de coração mole. Para vocês deixo esse mimimi todo e um poema lindo como recompensa por terem me ouvido. Os filhos crescem e isso é muito bom!

“Teus filhos não são teus filhos,
são filhos e filhas da vida.

Anelando por si própria,
vem através de ti, mas não de ti.

E embora estejam contigo, a ti não pertencem.

Podes dar-lhes amor mas não teus pensamentos, pois eles têm seus pensamentos próprios.

Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar se quer em sonhos.

Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis fazei-los semelhante a ti, pois a vida não recua, não se retarda no ontem.

Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados. Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para alegria.”

do poeta Kalil Gibran.

A super mammy.com

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