Nunca tive o costume de comemorar o dia das bruxas quando criança. Apenas quando cresci e fui para a escola de inglês é que participei de algumas festas consideradas típicas nos EUA, embora seja uma festividade originada dos celtas.
Quando mudei para Alemanha, descobri que aqui as pessoas comemoram também. Nos mercados é possível encontrar fantasias, máscaras, abóboras, enfeites para casa, comidas coloridas e muito mais. Meus filhos tiveram a curiosidade de participar de uma festinha há dois anos atrás.
Fiquei meio com receio. Para os católicos e cristãos, a festa das bruxas é uma festa satânica que cultua os espíritos do mal e maldade. A feitiçaria, o ocultismo, e a adoração do mal são temas que não combinam com o cristianismo. Da mesma forma os cristãos são livres e podem fazer suas escolhas.
Quando fiquei sabendo que a turminha do bairro iria sair andando pela rua fantasiados e pedindo doces e que meus filhos queriam participar de tudo isso, fui buscar um texto que me convencesse a não deixá-los ir. Encontrei este aqui, da jornalista Jurema Aprile:
” Os celtas, um povo que viveu há muito tempo na região onde hoje ficam a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda, bem antes do nascimento de Jesus Cristo, comemoravam o Dia de Samhain (pronuncia-se “so-in”) em 31 de outubro. Era o final de um ano e começo de outro, o fim da “temporada do sol” e o começo do frio, quando chegava o inverno e a terra congelava. A data significava também a abertura do portal entre o mundo dos mortos e o dos vivos.
As pessoas acreditavam que nesse dia, as almas dos mortos vinham à procura dos vivos, e tinham muito, muito medo dessa “visita” anual. Daí resolveram se vestir da forma mais estranha possível nessa data, para não parecerem humanos e despistarem os espíritos.
Tempos depois, os celtas foram conquistados pelos romanos, que eram guerreiros e dominavam novas terras e povos, há quase dois mil anos. Seus costumes e festivais se misturaram com os do lugar: eles comemoravam o Dia de Pomona na mesma época do Samhain. Pomona era uma deusa que protegia a agricultura, as frutas e os jardins. Assim, espigas de milho e maçãs, simbolizando fartura de alimentos para as colheitas do ano seguinte, foram incluídas na antiga festa celta.
Mais tempo, quase mil anos, se passou e o feriado foi somado ao que a Igreja comemorava em primeiro de novembro, chamado de All Hallows Day (Dia de Todos os Santos, em inglês). E o dia anterior, o 31 de outubro, ficou conhecido como Hallows Eve, ou véspera de Todos os Santos, dando origem ao nome que conhecemos hoje, Halloween.
Mas as pessoas não esqueceram as festas originais dos celtas e continuaram a acender fogueiras e dançar em volta, fantasiadas de esqueletos, diabinhos, fantasmas e monstros, enfeitando as casas com lanternas feitas de abóboras escavadas e iluminadas por dentro com a chama de uma vela. E conservaram várias das superstições desse festival.
Por exemplo, se uma moça descascar uma maçã sem romper a casca e atirá-la para trás, por cima do ombro, à meia-noite, ao cair no chão ela formará a primeira letra do nome de seu futuro marido. Na Irlanda, as crianças iam de casa em casa pedindo alimentos para comemorar a noite de Halloween, o que deu origem ao hábito de pedir doces dizendo: gostosuras ou travessuras!
Como você pode ver, o Halloween, ou Dia das Bruxas como é chamado por aqui, é uma soma de várias tradições muito antigas dos povos da Europa, e, mais tarde, da América do Norte. Hoje essa data é comemorada principalmente na Inglaterra, na Irlanda, nos Estados Unidos e no Canadá, mas já existem festividades também no Brasil.
Vários grupos ligados ao folclore brasileiro, isto é, nossa cultura popular, protestam contra a adoção dessa festividade “importada”. E criaram o Dia do Saci, em 31 de outubro, para valorizar as lendas brasileiras. Caso você queira conhecer ou aderir a essa causa conheça o site da SoSaci – Sociedade dos Observadores de Saci.”
Muitos celebram o Halloween sem pensar em seu significado, apenas como uma forma divertida de fantasiar-se, enxergando isso como algo inocente e inofensivo. Meus filhos queriam porque queriam participar! Como eram pequenos e sempre os incentivei a participarem das festas do bairro – para estarem mais próximos da cultura alemã – achei controverso não deixá-los ir. Além do que conversar sobre toda essa questão entre o bem e o mal, satanismo e tudo mais seria muito para a idade deles.
Fizemos assim: preparamos vários saquinhos de doce e combinamos que ao invés de pedirmos, nós iríamos dar as gostosuras, assim faríamos uma boa ação no meio de tantos bruxinhos soltos lá fora. Eles adoraram a ideia, preparamos juntos os saquinhos e improvisamos as fantasias.
Nossa caminhada pelo bairro durou 20 minutos no máximo, porque o frio começou congelar a nossa
alegria. Voltamos para casa, tomamos um delicioso chocolate quente e nunca mais tocamos no assunto. O ano passado não demonstraram interesse algum, e esse ano muito menos, cheguei até perguntar por curiosidade.
Acho que toda a minha preocupação me fez ver que ao invés de proibirmos e batermos de frente com assuntos e ações que não nos agradam – mas que passam pela cabeça dos nossos filhos – o melhor a fazer é orientá-los e estar juntos, participando e refletindo sobre nossas ações.
E vocês, o que acham? Como encaram a festa de Halloween? Deixe seu comentário…



















Então combinados assim: toda vez que eu estiver despenteada ela vem me arrumar. Mas se esse negócio de arruma aqui penteia ali ficar chato, nós vamos apenas nos divertir, nos esbaldar até ficarmos mais e mais descabeladas, desarrumadas e pingando.
